Um grupo de cientistas dinamarqueses resolveu investigar o motivo pela qual os franceses não parecem sofrer de doenças cardiovasculares, levando em conta que a dieta do seu povo é a base de um alto teor de gordura saturada e colesterol. Os pesquisadores analisaram a dieta do povo francês e descobriram que a principal razão desse baixo índice de doenças cardiovasculares se deve ao queijo.

Para concluir isso,uma equipe pediu para 15 pessoas seguissem três dietas diferentes por duas semanas uma de cada vez. Cada dieta tinha a mesma quantidade de calorias: uma continha 1,5% de gordura de leite, outra continha queijos, e a última apenas manteiga, porém mas nenhum outro derivado do leite deveria ser consumido.

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Os cientistas então analisaram a urina e as fezes dos homens para ver o que saia depois que os laticínios entravam. As dietas com leite e queijo excretavam níveis mais elevados de moléculas chamadas ácidos graxos de cadeia curta, que são acreditam agir de maneira anti-inflamatória e menores níveis de uma molécula chamada TMAO, feita por micróbios do intestino quando eles quebram alimentos de origem animal e ligados à doença cardiovascular. Os autores especularam que o leite do queijo e pode estar alterando as bactérias do intestino para de alguma forma fazer mais dos ácidos graxos de cadeia curta e menos TMAO potencialmente prejudicial.

“A coisa mais interessante para mim é o ácido graxo de cadeia curta e como ele atua em nosso corpo”, diz Kevin Bonham, um estudioso de pós-doutorado que estuda as comunidades microbianas em queijos e escreve para o blog Scientific American, Assuntos Alimentares. “O estudo é muito pequeno ainda, mas, ao mesmo tempo é certamente sugestivo para uma ligação interessante.”

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Este estudo, apesar de ser financiado por uma empresa de laticínios, alinha com outro trabalho no campo que atrai correlações entre queijos e consumo de produtos lácteos e os efeitos protetores nas doenças cardiovasculares e metabólica, diz Gökhan Hotamisligil, estudante de genética e doenças complexas da Escola Harvard de Saúde pública.

No entanto, nem todo mundo está convencido dos benefícios do queijo para os humanos. Kim Williams, cardiologista da Rush University Medical Center, presidente do American College of Cardiology, não acredita que está dieta explique o paradoxo francês.

“Passei muito tempo em Paris e em outras partes da França, e o que você não vê é pessoas sedentárias e acimado peso”, diz ele, acrescentando que mais estudos precisam ser feitos para primeiro destrincharem os fatores de estilo de vida que contribuem para isso e segundo para comparar o risco de doença cardiovasculares nas dietas à base de animais contra dietas à base de plantas.